terça-feira, 16 de outubro de 2007

A história do momento

Pensar a relação do homem com o mundo é pensar a história. Mas como devemos entendê-la? Qual é a história que mais se aproxima de uma lógica das coisas do mundo (se é que existe tal lógica)?

A premissa de que nenhum olhar é neutro e de que tudo passa pelo crivo da nossa subjetividade não deixa de ser verdadeira; no entanto, ela nos deixa num beco sem saída à la Matrix. Primeiramente é preciso pensar em o que seria a realidade. A realidade das coisas se resume ao fato de que suas aparições e suas manifestações não dependem do meu ser; ou seja, sua existência está ligada a uma razão que não depende do meu bel-prazer. Tal realidade e suas manifestações fenomenológicas têm necessariamente que se conectar de maneira transcendente, senão tais manifestações se fechariam sobre a maneira subjetiva através da qual somos afetados. Diz Sartre: "Mas se a transcendência do objeto se baseia na necessidade que a aparição tem de sempre se fazer transcender, resulta que um objeto coloca, por princípio como infinita a série de suas aparições. Assim, a aparição, finita, indica-se a si própria em sua finitude, mas, ao mesmo tempo, para ser captada como aparição-do-que-aparece, exige ser ultrapassada até o infinito. Esta nova oposição, a do 'finito e infinito', ou melhor, do 'infinito no finito', substitui o dualismo do ser e do aparecer".

O que significa dizer que há uma nova oposição entre o infinito no finito? Significa que o objeto real tem uma razão de ser finita que é e, assim, se transcende em suas manifestações infinitas, sobre as quais os nossos olhares podem também se multiplicar infinitamente. Isso não significa que o objeto mascara uma dimensão oculta do seu ser ou então revela parte dele. O objeto é enquanto existe. "O existente é fenômeno, quer dizer, designa-se a si como conjunto organizado de qualidades. Designa-se a si mesmo, e não a seu ser. O ser é simplesmente a condição de todo desvelar: é ser-para-desvelar, e não pare ser desvelado". Portanto dizer que estamos presos à nossa subjetividade não significa uma posição claustrofóbica; mas sim que o ser-do-fenômeno é coextenso ao fenômeno, fundamentando-o; este ser, porém, no escapa toda vez que o tentamos apreender.

Agora falta pensar em como se dá essa apreensão. Partindo do pressuposto que a percepção é também um ser transfenomenal concebido como a consciência - transfenomenal porque ela só existe quando é e ultrapassa a sua existência na percepção - é preciso separar bem a consciência e o conhecimento. "A consciência não é um modo particular de conhecimento, chamado sentido interno ou conhecimento de si: é a dimensão de ser transfenomenal do sujeito. (...) Toda consciência é consciência de alguma coisa. Significa que não há consciência que não seja posicionamento de um objeto transcendente, ou, se preferirmos, que a consciência não tem 'conteúdo'."

A consciência tem sim uma forma de ser muito particular: uma forma circular. Porém trata-se de um círculo muito especial, que não se fecha em si mesmo, assemelhando-se mais a um espiral. Na percepção de um objeto, forma-se uma consciência refletida; ao mesmo tempo, cria-se uma consciência de tal consciência: uma consciência reflexiva. A primeira consciência, ou a consciência imediata, não emite julgamentos sobre o que está sendo percebido. Mas só ato de perceber faz com que essa percepção constitua substantivamente a consciência perceptiva. Ou seja, a consciência se encontra num eterno círculo dialético consigo mesmo (é bom lembrar que só dividi a consciência em duas para uma melhor análise). E tal círculo dialético é inseparável do mundo, afinal toda a intenção da consciência está voltada para ele.

A consciência construída e reconstruída a cada momento é a essência da nossa existência: "toda existência consciente existe como consciência de existir". Desta forma, o que temos é uma história de momentos sucessivos sobre os quais a nossa consciência estende a sua percepção. O efeito que se tem é da mesma natureza da reprodução de um filme: a partir de muitos frames, constrói-se uma imagem fluida. No entanto, na nossa relação com o mundo, não existem tais frames - os momentos já são em si fluidos.

E então onde entra a história? O nosso conhecimento ou a nossa memória fazem o papel de ligar causas e efeitos - de construir narrativas e significados- a partir daquilo que a nossa consciência nos fornece. E, em se tratando de relações sociais, a história só se dá na efemeridade do instante. Afinal, uma relação social não tem a mesma natureza de um objeto alheio a nós: ela emerge e logo desaparece no espaço entre duas pessoas. Todavia as relações sociais têm longa duração dentro das nossas mentes. Mais uma vez, dizer que a intersubjetividade entre dois sujeitos se esvai no limite do momento não é adotar uma posição desesperadora na qual "nada é nada"; significa apenas dizer que não podemos atribuir a denominação de motor da história a algo externo a nós. Da mesma forma, é totalmente insustentável tentarmos rotular de concretas relações sociais que são apenas recorrentes: como bem diz Sartre, "A realidade desta taça consiste em que ela está aí e não é o que eu sou". As relações sociais somos nós, logo é imprudente que queiramos vê-las além de nós.


Depois disso tudo, uma pequena provocação:

Uma parede resiste ao momento; relações de classe não.

12 comentários:

Fabio disse...

mto bom esse texto... =)

ae dom vc manda bem nessas coisas abstratas hhehehehe eu fico viajando =)

andre leonardo disse...

Viajei na parte do infinito

A primeira parte desse texto me lembrou algo de Heideger que li nos pensadores.

Acho q vc podia substituir a palavra realidade (dos objetos externo) por essência.

Sobre nossa conversa; concebo a consciência, o momento e a existência praticamente como sinônimos, ponto de partida e chegada de todas teorias.

Cara, eu tava pensando algo mto louco sobre o marxismo hj. Qto mais o estudo, mais ele me soa como recalque da ciencia metafisica, que Kant tratou de pulverizar. Isso pq os marxistas vivem em um outro mundo, no ideal, à forma deles.

Sacou? disse...

Grande Sartre em suas idéias forma a concepção de liberdade como algo totalmente posto ao projeto humano.

Interessante o seu dominio textual.

andréa disse...

Não sei se entendi tudo, aliás, tenho quase certeza que não (heheh)! Mas alguma coisa, sim, e, do que pude entender, achei teu texto bom. E bem, corrija-me se no que eu escrevo há algo que seja fruto de minha má compreensão.

Bom, tenho a impressão que há um acordo sobre a natureza do que se denomina “motor da história”, quero dizer, suponho que todos concordam ou concordaram que o que move a história não é alheio aos seres humanos, que a história é por excelência um produto das relações sociais, nas quais um componente subjetivo existe, necessária e essencialmente. Com isso quero dizer que, sim, penso que seja certo dizer que relações sociais não são concretas, no sentido que elas não existem como algo material ou materialmente perceptível. É evidente que as relações sociais não têm existência física e que, sendo relações, pressupõem mais de uma pessoa para que aconteçam num determinado tempo e espaço. Do que se diria, então, por decorrência lógica, as relações são um acontecimento do instante. Ok.

Mas há umas coisas que não entendo ou, pelo menos, não teria tanta certeza em afirmar. A primeira, o que se entende por realidade. Porque se “a realidade das coisas se resume ao fato de que suas aparições e suas manifestações não dependem do meu ser; ou seja, sua existência está ligada a uma razão que não depende do meu bel-prazer” - e eu entender, conforme se parece querer dizer, por ‘o que depende do meu ser’ como algo que é subjetivo - então, por decorrência lógica do que foi dito, as relações sociais não existem ou não são reais. Contudo, por mais que eu tente, não consigo achar que só o materialmente existente seja real. Para mim, o fato das relações serem efêmeras não quer dizer que não existiram, que não foram reais enquanto estavam acontecendo. Exemplifico: um professor estabelece um tipo de relação com seus alunos durante uma aula; essa relação, que envolve a subjetividade dos alunos e do professor, ainda que não necessariamente implique o que se chamou de consciência reflexiva, é real, está existindo, enquanto dura a aula. E, se isso é verdade, um tipo de relação existe enquanto for reproduzido, quero dizer, por exemplo, a escravidão não existe porque não acontece mais, ainda que tenha sido real, existente, num determinado espaço e tempo passado. Isso é o que me permitiria dizer que ao longo de toda a história do Brasil colônia e do Brasil Império a escravidão existiu, que esse tipo de relação social era uma realidade.

E, por conseqüência dessa minha forma de ver as relações como realidade, teria mais cautela ao afirmar que “Tal realidade e suas manifestações fenomenológicas têm necessariamente que se conectar de maneira transcendente, senão tais manifestações se fechariam sobre a maneira subjetiva através da qual somos afetados”. Quer dizer, entendo que através das relações que estabelecem entre si os homens compõem parte da realidade, transformando-a ou reproduzindo-a. Noutras palavras, ainda que a realidade do mundo físico exista de forma independente aos seres humanos, estes podem atuar sobre esse mundo físico, criando uma outra realidade pelas relações que estabelecem com esse mundo físico e, não apenas assim, mas também pelas relações que estabelecem entre si. Caso contrário, a realidade e a história seriam coisas completamente separadas uma da outra. Contudo, como entendo, o que move a história não pode ser visto como algo externo a nós exatamente pelo fato de que, estando em relação com o mundo, não só estamos submetidos a ele, mas também interferimos nele.

Por isso, ainda gostaria de considerar mais duas coisas. Uma que se ‘o homem’ pode mesmo, através das suas relações, interferir sobre a realidade - quer dizer, se a história é ‘dos seres humanos-, isso significa que, mesmo que as relações sejam um acontecimento efêmero, elas implicam pressupostos e conseqüências que as ligam a outros momentos do tempo e a outros espaços diferentes daqueles nos quais aconteceram, independentemente da consciência ou da memória humana, seja dos que participam daquelas relações ou não. Com isso não quero dizer que as narrativas e seus significados não sejam um produto da nossa consciência reflexiva, mas que entendo que, num momento ainda anterior a essa consciência, os instantes interconectam-se uns aos outros através dos pressupostos e conseqüências ou efeitos das relações, pois mesmo que elas tenham, necessária e essencialmente, um componente subjetivo, isso não implica uma plena consciência do seu sujeito ou do seu observador sobre a mesma. Eu chamaria isso de processo histórico. Um ex tosco: uma firma contrata trabalhadores para produção de carros (o que significa uma relação de trabalho) de um novo modelo com nova tecnologia de combustível (significa uma nova relação com o meio físico) na expectativa de vencer o concorrente externo (significa uma relação de concorrência com previsão sobre o futuro) e aumentar seus lucros (significa uma relação de apropriação), no que está pressuposto a existência de um mercado de carros (significa relação de compra e venda e de competição entre as firmas) e o uso deste tipo de transporte (tipo de consumo, status etc); essa decisão trará conseqüências ao mercado de carros e de trabalho e até pode ser frustrada por n motivos não previstos, a firma ser adquirida pela concorrente externa (significa uma mudança na relação de concorrência) ou as compras de carros aumentarem; e tudo isso independente do que os envolvidos pensem sobre os efeitos ecológicos e econômicos do transporte por meio do carro, o seu significado político etc. Enfim, a idéia é que o momento de cada relação interconecta-se com os outros por meios das próprias relações, seus efeitos, conseqüências e pressupostos; e que por essas relações, que muitas vezes têm produtos concretos (os carros produzidos, os contratos efetuados e refeitos etc) se interfere na realidade, gerando a história.

Por fim, acho que uma diferenciação entre as relações pessoais e sociais também poderia nos ajudar a pensar. Não acho que essa separação exista de maneira evidente. Ao contrário, todas as relações da nossa vida são, simultaneamente, pessoais e sociais, mas em alguns momentos convém destacar mais um lado que outro. Digo isso por um motivo muito simples: as relações sociais têm uma duração longa, além do seu tempo de duração efetiva, que não está só na memória daqueles que a vivenciaram, mas materializada nas diversas formas de organização das relações sociais. Por ex, as leis que servem para tentar coagir os indivíduos a relacionarem-se de tal ou qual forma, a moral religiosa ou laica que constrange as relações que fogem ao padrão estabelecido etc. Essa materialização das constrições às relações sociais nem sempre existe e nem é necessária para caracterizar uma relação social, mas acredito que sirva para indicar quanto uma certa relação é importante numa dada sociedade, portanto, como se encadeiam às outras sociais, construindo a história, e por que há relações tão mais consolidadas e difíceis de se alterar que outras.
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Provocação:
O muro de Berlim caiu, não existe mais. Mas a venda do trabalho, a acumulação do capital, a concorrência entre as grandes empresas multinacionais, as guerras entre as nações para exploração dos recursos alheios, isso tudo continua, ainda existe. Moral dessa história: Há certas relações sociais por ai muito mais difíceis de transpor que muitas paredes.

faustina disse...

caraca! andrea, minha heroína!

adorei a provocação.

o muro de berlim caiu, mas a estrutura sobre a qual seus tijolos se assentaram se mantém... e não poderia ser diferente já que a revolução não tem a ver com construção de paredes.

em tempo: a luta de classes resiste ao momento e dissolve o que é sólido. como sabão na gordura.

...destruir as classes não no conceito, mas no concreto.... é viver o momento não no indivíduo mas na narrativa que precisa de um mais dois, três, mil, pra acontecer....

faustina disse...

ou melhor, podemos até construir paredes depois da revolução... mas seu movimento consiste em aproximar e não em apartar (ainda mais) as pessoas.

e se "a unidade final da matéria e a unidade final da força são idênticas", como dizer que o que é concreto não se move e que o que se move não é concreto?

hum?

Nowhere Man disse...

Andréa, concordo com quase tudo que você disse. Vou apenas responder a alguns pontos do seu texto.

A primeira, o que se entende por realidade. Porque se “a realidade das coisas se resume ao fato de que suas aparições e suas manifestações não dependem do meu ser; ou seja, sua existência está ligada a uma razão que não depende do meu bel-prazer” - e eu entender, conforme se parece querer dizer, por ‘o que depende do meu ser’ como algo que é subjetivo - então, por decorrência lógica do que foi dito, as relações sociais não existem ou não são reais.

Primeiramente, a minha intenção com esse trecho que você destacou era a de mostrar que a a natureza das relações sociais é completamente diferente da natureza da 'realidade empírica'. Portanto é insustentável uma Ciência Social atribuir a si o estatuto de ciência do concreto. É claro que as relações sociais existem e são reais, seria um absurdo dizer que não. Aliás, como bem disse o André, eu poderia ter maneirado na hora de utilizar tantas vezes a palavra 'realidade', porque pode criar um mal-entendido, como de fato aconteceu. O meu esforço em falar dos objetos do mundo como algo 'real' se deu no sentido de evitar tal concepção: se a nossa relação com o mundo é necessariamente uma relação subjetiva, se levarmos isso às ultimas conseqüências, talvez estejamos vivendo uma grande ilusão na qual as coisas à nossa volta não passam de devaneios da nossa mente. Foi para refutar isso que eu disse que as coisas existem independentemente da nossa vontade; tais coisas têm razões-de-ser, ou essências, que independem de nós. Essa razão de ser traz consigo aquela dupla face que eu comentei: o infinito no finito, ou seja, infinitas manifestações fenomenológicas coextensas a uma razão-de-ser finita. Entende?
Agora, dizer isso não significa dizer que o mundo está imune ao homem. Nós interferimos nele tanto simbolicamente como concretamente.

Para mim, o fato das relações serem efêmeras não quer dizer que não existiram, que não foram reais enquanto estavam acontecendo.

Concordo plenamente. Aliás, eu acredito que o que existe de mais real para nós são essas coisas que se arrastam pelas bordas do instante. As relações sociais são extremamente reais no sentido de que elas podem desaparecer no limite do momento, mas elas têm um grande peso na maneira como veremos o mundo posteriormente.

Uma que se ‘o homem’ pode mesmo, através das suas relações, interferir sobre a realidade - quer dizer, se a história é ‘dos seres humanos-, isso significa que, mesmo que as relações sejam um acontecimento efêmero, elas implicam pressupostos e conseqüências que as ligam a outros momentos do tempo e a outros espaços diferentes daqueles nos quais aconteceram, independentemente da consciência ou da memória humana, seja dos que participam daquelas relações ou não. Com isso não quero dizer que as narrativas e seus significados não sejam um produto da nossa consciência reflexiva, mas que entendo que, num momento ainda anterior a essa consciência, os instantes interconectam-se uns aos outros através dos pressupostos e conseqüências ou efeitos das relações, pois mesmo que elas tenham, necessária e essencialmente, um componente subjetivo, isso não implica uma plena consciência do seu sujeito ou do seu observador sobre a mesma.

Nenhum homem é uma ilha. Por isso não gosto do conceito de indivíduo. Conectamo-nos a outros espaços e a outros tempos históricos sim, mas não de uma maneira transcendental; o elemento dialético faz com que a resignificação seja constante, ou seja, no momento em que eu olho para o mundo, o olhar que eu lanço para ele é o da tradição. Mas, mais uma vez, tal conexão está dentro de nós: não está em um 'espírito da história'. Por isso não concordo quando você diz que isso não implica em plena consciência do sujeito. Implica sim, afinal toda ação é uma ação crítica (não no sentido analítico, mas no sentido de não olhar neutramente para as coisas). Talvez não percebamos, mas a consciência trabalha incessantemente: como disse o Sartre, não existe consciência sem a consciência de que ela existe.
Mas eu acho que o você quis dizer é que nós talvez não saibamos, mas estamos inseridos em algo maior do que nós mesmos: um processo histórico. Bem, com relação a isso eu tenho muitas ressalvas. Acho que esse 'algo maior' seja também um recurso analítico do qual o pesquisador lança mão. É lógico que em qualquer sociedade há uma rede complexa de relações sobre as quais as ações dos sujeitos têm uma conseqüência; mas elas só têm uma conseqüência porque há pessoas envolvidas nesse processo. Mais uma vez temos que ter o cuidado de não atribuir a um efeito o estatuto de causa.

E, por fim, eu não acredito nessa separação entre relações sociais e relações pessoais. Podemos até separá-las na hora de uma análise, mas elas são a mesma coisa: e, no fundo, é isso que é bonito nas Ciências Sociais.

Nowhere Man disse...

as coisas existem independentemente da nossa vontade; tais coisas têm razões-de-ser, ou essências, que independem de nós. Essa razão de ser traz consigo aquela dupla face que eu comentei: o infinito no finito, ou seja, infinitas manifestações fenomenológicas coextensas a uma razão-de-ser finita.

Em tempo, uma correção importante: a razão-de-ser dos objetos não trazem consigo essa oposição 'infinito no finito', elas são tal oposição.

Sacou? disse...

Adoro Sartre, ele foi um dos filósofos que na minha opinião chegou mais perto do conhecimento humano(digo um deles, tantos outros são fantásticos também), esse ano vou prestar vestibular na UFPR para filosofia .


Eu vi o link do blog no nick do seu msn
fiquei curiosa e entrei.
Enfim sou a Fernanda de Curitiba ( se você lembrar é claro)

Mas achei bem interessante o que você escreve, não só sobre filosofia, mas também sobre diversas outros assuntos.

Até

Sacou? disse...

Aliás tenho aulas de filosofia aos sábados de manhã.
E esses dias estavamos debatendo sobre a concepção de liberdade.
Tanto Sartre como Platão discutem sobre isso.

Bárbara Castro disse...

Bier!
Fiquei incomodadíssima com esse texto! Não podia perder meu posto de chata e deixar de comentar.
Como assim, a história se realiza no momento e as relações sociais se reproduzem no plano das idéias?
Sartre é um defensor feroz do materialismo histórico e do pouco que eu entendo, está longe dele acreditar que não haja nada externo que faça os homens fazer história...
Aí é importante sacar o diálogo filosófico: com quem ele está falando e o que é o projeto existencialista sartriano? é um resgate do marxismo que, na experiência histórica (e aqui, ação não vem separada de construção teórica) separou ser e saber, teoria e prática...
Quando ele fala da consciência, apenas diz que ela é formada pela experiência. E essa não é desinvestida de materialidade (é pura materialidade).
Mas essa é apenas a razão. O problema é a passagem do mundo kantiano para o hegeliano: como resolver o problmea da ação?
Aí é que vem o lance do indivíduo na história e o seu resgate, já que o economicismo o tinha relegado a um milésimo plano. Mas o foco no subjetivismo e a recusa ao objetivismo vem não para instituir um reino de liberdade plena de escolhas.
O lance é que o indivíduo, para Sartre, não reconhece o resultado de sua ação porque ela se dilui no todo: a objetivação da sua subjetividade torna-se alienada. E ele só age com a finalidade de suprir alguma ausência (daí a idéia de projeto). Como todos agem ao mesmo tempo, os projetos individuais entram em choque e foram um todo que age contra o indivíduo e limita a sua ação(estrutura-viva).
No fim das contas, o que quero dizer é que Sartre não nega a materialidade (é ela quem constitui a consciência dos indivíduos, através da experiência); nem a influência de uma exterioridade no 'fazer' história dos indivíduos: se eles têm liberdade de escolha, esta liberdade se dá em um campo de possíveis já dado, porque construído historicamente(mesma idéia do Marx em 18 de brumário); nem a inexistência de relações sociais pautadas por uma materialidade.
Acho preocupante relegar esta última (relações sociais) ao universo das idéias (estou radicalizando seu argumento). Para mim, fica parecendo que você acabou comprando a idéia que Sartre queria negar.
Minha provocação: por que ler o Sartre com a chave do Geertz se o seu instrumental é marxista e Husserliano?

Nowhere Man disse...
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