quarta-feira, 25 de junho de 2008

Passagem

Confio na sua capacidade de enganar o tempo;
Como os passos numa tarde sem pretensões,
Como as férias de infância: buraco na temporalidade fragmentada do cotidiano.

Agarro com força na sua cintura,
Quando você tenta avidamente alçar vôo.
Por mais breve que seja, sinto em você a leveza das nuvens
Que passam no céu como pesados navios - de puro aço -, flutando tranqüilos sobre o mar.

Suspiro em meio à sua fragilidade.
Sensibilidade que traz em si todas as canções do mundo:
mesmo aquelas que eu nunca ouvirei, os mais belos hinos cantados,
Murmurados num momento singelo de alegria.

Pesam sobre mim as coisas que deixamos para trás,
todos os dias,
Outonos que perdem suas folhas:
a naturalidade que envolve todos nós.

Creio na memória dos nossos corpos,
das minhas mãos que conhecem as suas:
nossos ossos tão assustados,
nossa carne com tanto medo da solidão.

Passeio pela vida com você,
como notas de piano passeiam sobre a melodia de uma música que é pura cadência.
Nosso lirismo, assim, não se fecha: ele se estende infinitamente, se esparrama em cada dia,
em cada hora, em cada minuto.

3 comentários:

Anônimo disse...

só posso dizer que você me aquece, me completa, me faz entender um pouco mais a cada dia essa vida que precisa ser eterna para caber tudo o que é nosso.

feliz ao seu lado. muito.

25 de junho de 2008

Allyson disse...

lirismo estendido infinitamente é muuuuito bom...
rs
gostei do blog
tá add

Rosa disse...

A nat que me falou sobre isso. Tão bom, felipe.

precisa de muita sensibilidade pra aguentar algumas imagens. e é tudo muito agradável e um pouco dolorido, como tem que ser.

adorei.. vou voltar aqui. com mais inspiração pra ler e comentar, a sua altura.

beijo!