quinta-feira, 19 de junho de 2008

Bypass

Subitamente,

Os riscos amassados numa folha de papel,

Debaixo do meu travesseiro,

Não lhe são mais palavras.



Digo: "Me desculpe, voltarei logo."

Mas as palavras saltam aos olhos:

Como quando uma criança chuta uma pilha de folhas secas,

No mais terno inverno.


O que está plasmado ali - num âmbar em tons de amarelo e azul - é meu corpo,

Vivo e pulsante,

Que implica sobre o papel a pressão necessária para que uma dor seja eterna,

Que uma despedida escorra por entre os lábios,

Que uma plenitude dependa do sangue que é bombado em minhas veias.



Dou adeus como quem escreve um bilhete:

"Já volto".

Um bilhete que carrega meu corpo em seus traços

E que, como ele, é ironicamente levado pelo vento

Para debaixo da porta, ao vão da escada, por entre as almofadas...

Sumo como os traços despretensiosos da minha mão,

Curvada, rápida, desleixada.


No último suspiro do bypass,
Escrevo com meus lábios um bilhete que escapará,
aos poucos,
pelas frestas de sua memória.

Um comentário:

Pedro disse...

jah comentei no orkut..e comento aki ..

cara...
mto bom ...gostei mto ..
=X


abraços..