quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Verka



"Blessed are the forgetful: for they get the better even of their blunders"

Eu não suporto mais viver nesta eterna repetição do mesmo: passo por imagens perfiladas, como quadros em um museu, imagens familiares pois são minhas. Mas estas figuras da memória perderam seu teor e descansam frias na parede branca. De que valem se não têm história, se não me olham de volta? Tento desesperadamente agarrá-las como se fosse possível resgatar o tempo em que eu submergia para aquém de mim. Mas tudo o que eu tenho são segundos que me cobrem como cinzas de um prédio destruído: tudo o que eu tenho sou eu, agora, neste instante. Uma realidade que eu nunca quis e que agora pesa sobre mim. Eu sou este ser que sobe e desce escadas de um museu mórbido e sarcástico: as imagens nas paredes não são nada mais que espelhos - tão precisos que não retribuem qualquer olhar, não deixam qualquer distância.

Um comentário:

faustina disse...

Existem imagens que são espelhos,
frios, rígidos, inertes.

Outras são portas, discretas, secretas, quase imperceptíveis.

O que diferencia os espelhos das portas é o caminhar.

Verka, do russo, é a mulher bela sob vestes grotescas. Seria a nossa "Maria-João". Ou Diadorim.