domingo, 4 de setembro de 2011

Força fraca




Cai
a matéria:
a inércia da matéria.

E,
no infimíssimo,

cinde-se
amor:
promessa-amor.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Auréola




Não é nada:
é só o céu expandindo,
colidindo-se em curiosa dobra
na altura de seus limites.

Não é nada:
são só as cores de um sopro
descendo em linha ígnea
até as paredes do diafragma.

Lá, diz-se,
captura-se uma estrela
e se a deixa apagar.

Depois,
é só outro vazio:
não é nada.

sábado, 14 de maio de 2011

Amores suspensos




Cinzas
enlevadas
pela torrente quente;
vultos em solo queimado.

Na finestrina,
chamas dançam
velhos
negros
vapores,

espectram a palavra ao chão,
habitam o liame do tempo.


Vê-se:
quem sou.

O vento
- maios -
na casa:
espreitando,
secando a terra.

Vê-se:
quem fui.

O vento
- um sonho -
em terreno baldio:
espraiando
tempos idos.

domingo, 24 de abril de 2011

Estática




Entre
mim
ti
a morte:

estática,

fios
ao infinito
descontínuos;

modulando-se,

pingos
em torno de si,
esbarrando,
tropeçando,
magnetismos,

sendo,
no presente,
fase interrompida,
e, no agora,

o silêncio alvo do avenir,
os ruídos brutos do passado:

estáticos.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Tacitum




Os olhos baixos,
dessacramento:

de manhã,
de surpresa;

suspenso;

do amor,
de degelo,

o silêncio.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Descolor




As unhas em suas costas,
ranhuras,
escorrem a seiva
que julgo destilar
com maior esmero:
verde, laranja, azul, amarelo,
vermelho.

Diante das cores,
os seus olhos
- desfalecidos -
dão as mãos aos meus,
quase se fecham,
ante a lembrança
- negativo -
ilembrável.

“Pálpebras cerrando-se
a escuridão quaseabrindo,
alvuras,
somente,
alvuras:
amor.”

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Amor em quatro atos



O simples gesto de suas pálpebras
navalha, em consternada negação,
o meu ofegante pedido,
promessa:

"- Estaremos mortos?
- Somente quando o chão,
onde repisamos este grande cansaço,
finalmente ruir."

Meus olhos,
que se recusam a fechar-se,
atestam o vapor que exala do encontro de nossas peles:

"Todo amor é uma violenta despedida".