quarta-feira, 16 de maio de 2012

O vento de maio





Maio
liberta o dia,

maio,
segura a noite
por mais uns minutos.


                                     Eu lhe disse:

“sou filho do verão,
                      você,
alento,
escape
deste ruído úmido
                      cerrado
da cidade”


                                 Ela recostou a cabeça em meu ombro
                                 enquanto caminhamos.

                                 Nada disse.



“o vento que sopra maio
não é daqui” – quis dizer.


“o vento de maio sopra outro,
sente que sou outra?”


       seus olhos aquiesceram,
perguntantes,
um respiro, e só.



Então nada soube
tudo quis.

O vento de maio
suspirou a mim.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Nos es realmente mayo






Nos es realmente mayo,

es el rojo do vento
matinal

          que

corta fatias de luz
nada rijas:

              dançam sobre a calçada
                 
                    (impossíveis),

acenam você,

maio, 
         transitivo.



Hoje e ontem,
sempre ao sul
do equador,

amarelo
suspenso
dos trópicos. 


Guardei maio
junto ao solto botão da calça
uma moeda velha
bololô de fios
e outros semi-deuses.


O acolhi
sua lilaleza, 
sorri:

"não sinto saudades, apenas uma mancanza,

Maio".

Mês que não existe.
       ao sul
       sem tempo
       delgado
       colorido
       rojo, amarillo
       assoluto. 

terça-feira, 8 de maio de 2012

Longe

Longe
Longilínea
Um traço longe
A seca dobra do teu corpo
Longe.

A pílula engolida rápido em avanço

Minha carne
     treme
Como teia
     De um juramento:

 O horizonte, sempre longe.



 Mas
        no fio da hora,
                Tua linha na garganta

É perto, perto,
                 Dentro dentro.



Um rio repleto de cristais de gelo nunca derretidos.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Da justiça




Da justa escolha,
da escolha do justo.

Da escolha.
Do justo.

Descansa
no fio de cabelo

que separa
a promessa
do esquecimento

em uma velha
foto
perdida

no fundo do armário.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Felicidade



A cada estalo
do corredor,

envoltos
em oblíqua luz:
o cansaço da lei,
o apetite de uma promessa.


Inspira-se
o verniz da manhã

em amarelo
marrom
branco;


o suspiro suspende
o justo tempo
de qualquer escolha.


E hoje,
resta-o tão-somente,
como passos
insistentemente
não rangidos.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Uma canção de espera II



Aquela vez que

sempre
agora:

uma palmeira esboça
o sol
sempre

a oeste,

um amanhecer
sempre
inventado,

em barbantes
suspenso,

sempre
à espera.

domingo, 27 de novembro de 2011

Moi, le femme



Entre meios,
entre-coxas,
entressangue,
entre...

Entre:

aqui,
aqui,
aqui.

Aqui
não há eu,

não há,
não há,
não há:

moi.

A mulher não há.

Há,
entre meios,
sobre-coxas,
moi, le femme.