domingo, 27 de novembro de 2011

Moi, le femme



Entre meios,
entre-coxas,
entressangue,
entre...

Entre:

aqui,
aqui,
aqui.

Aqui
não há eu,

não há,
não há,
não há:

moi.

A mulher não há.

Há,
entre meios,
sobre-coxas,
moi, le femme.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Resto



De todo este cansaço,
resta a mão
que tateia o escuro;

dela,
a réstia:
frestas
de gestos em falso;

contornos
amarronzados
na branca parede;

um espelho
que brilha e se apaga:

átimo indesejável,
corpo entretocado,
um carinho no esquecido,

penhor e latência
da urgência
deste cansaço.

domingo, 4 de setembro de 2011

Força fraca




Cai
a matéria:
a inércia da matéria.

E,
no infimíssimo,

cinde-se
amor:
promessa-amor.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Auréola




Não é nada:
é só o céu expandindo,
colidindo-se em curiosa dobra
na altura de seus limites.

Não é nada:
são só as cores de um sopro
descendo em linha ígnea
até as paredes do diafragma.

Lá, diz-se,
captura-se uma estrela
e se a deixa apagar.

Depois,
é só outro vazio:
não é nada.

sábado, 14 de maio de 2011

Amores suspensos




Cinzas
enlevadas
pela torrente quente;
vultos em solo queimado.

Na finestrina,
chamas dançam
velhos
negros
vapores,

espectram a palavra ao chão,
habitam o liame do tempo.


Vê-se:
quem sou.

O vento
- maios -
na casa:
espreitando,
secando a terra.

Vê-se:
quem fui.

O vento
- um sonho -
em terreno baldio:
espraiando
tempos idos.

domingo, 24 de abril de 2011

Estática




Entre
mim
ti
a morte:

estática,

fios
ao infinito
descontínuos;

modulando-se,

pingos
em torno de si,
esbarrando,
tropeçando,
magnetismos,

sendo,
no presente,
fase interrompida,
e, no agora,

o silêncio alvo do avenir,
os ruídos brutos do passado:

estáticos.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Tacitum




Os olhos baixos,
dessacramento:

de manhã,
de surpresa;

suspenso;

do amor,
de degelo,

o silêncio.